sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Você está preparado para a reforma ortográfica? (4)


Nesta quarta parte desejo apenas indicar o livro Escrevendo pela Nova Ortografia, do Instituto Antônio Houaiss (Publifolha), o qual tem como subtítulo Como usar as regras do novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Este livro apresenta as informações essenciais que precisamos saber sobre a nova ortografia. E esclarece as suas principais dúvidas, tratando das questões do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, como acentuação, trema, uso do hífen, etc.

Para quem ainda não sabe, o tal Acordo Ortográfico foi firmado entre Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Brasil e passa a valer a partir de 2009 para documentos oficiais e para a mídia. No ensino público, começa a ser implementado em 2010, e até 2012 as novas regras serão adotadas para todas as séries.

O livro que indico foi elaborado pelo Instituto Antônio Houaiss, uma das mais renomadas instituições de filologia no Brasil, e é fundamental para todos que escrevem em língua portuguesa.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O perigoso culto ao “eu” do triunfalismo e do individualismo

Segundo a Palavra de Deus, não devemos nos conformar com o mundo (Rm 12.1-2), isto é, com as suas crenças, doutrinas, tendências, atitudes e filosofias, como: o hedonismo, o materialismo, o imediatismo, o ateísmo, o antropocentrismo, o machismo, o feminismo, o homossexualismo, etc. Neste artigo, discorreremos sobre os perigos do egocentrismo, do individualismo e, principalmente, do triunfalismo, os quais vêm fascinando cristãos desavisados.

Egocentrismo, à luz da psicologia, diz respeito ao conjunto de atitudes ou comportamentos de um indivíduo que se refere essencialmente a si mesmo. Essa tendência é contrária à Palavra de Deus, que condena a soberba, o orgulho, o egoísmo e o egotismo. Todos esses termos, com significações específicas, se inter-relacionam, designando o culto ao “eu”.


Quanto ao individualismo, trata-se da doutrina moral, econômica ou política que valoriza a autonomia individual, em detrimento da hegemonia da coletividade despersonalizada, na busca da liberdade e satisfação das inclinações naturais (Houaiss). É a tendência e a atitude de quem revela pouca ou nenhuma solidariedade e busca viver exclusivamente para si; também está associado à egolatria.

Foi o Diabo o primeiro a cultuar o “eu”, tentando, inclusive, igualar-se a Deus (Is 14.12-15 e Ez 28.15-17). Por isso, como o mundo jaz no Maligno (1Jo 5.19), as suas filosofias predominantes são o egotismo e o narcisismo — se bem que este último diz respeito principalmente ao estágio precoce do desenvolvimento psicossexual no qual o indivíduo tem a si mesmo como objeto sexual —, ambas condenadas pela Palavra de Deus (Lc 12.17-21; Gl 2.20; Jo 3.30; Sl 138.6; Ec 2.4-11; Lc 18.9-14 e 1Pd 5.5).

O termo “triunfalismo” diz respeito à atitude excessivamente triunfante; ao sentimento exagerado de triunfo. É a mais perigosa dentre as influências filosóficas em análise, posto que os falsos mestres a propagam encobertamente entre nós (2Pd 2.1 e At 20.30). E, como num círculo vicioso, os crentes desavisados, ávidos por ouvir palavras que agradem os seus ouvidos (2Tm 4.3), abraçam os mencionados egocentrismo e individualismo, bem como todo o tipo de influência egotista.

Muitos cultos, em nossos dias, são reuniões para “massagear” egos, tendo como objetivo adular, elogiar e melhorar a auto-estima dos crentes. A tendência é que esses irmãos se esqueçam de que são “vasos de barro” (2Co 4.7) e deixem de se humilhar debaixo da potente mão de Deus (1Pd 5.6), passando a ver tudo sob a ótica do triunfalismo. Isso é perigoso, pois a própria Bíblia assevera que no mundo temos aflições (Jo 16.33; At 14.22; Rm 5.1-6 e 2Co 4.16-17).

Quando um crente é estimulado a só pensar em bênçãos, torna-se cada vez mais egocêntrico e individualista. Ele não freqüenta as reuniões da igreja a fim de cultuar a Deus, e sim para satisfazer as suas necessidades. A sua fé é direcionada apenas à consecução de vitória, ignorando que os heróis da fé fecharam as bocas dos leões e escaparam da espada (Hb 11.33-34), mas também, pela mesma fé, foram maltratados, torturados, apedrejados, serrados e desamparados (Hb 11.25,35-38).

Segundo a teologia do triunfo, o crente deve “decretar”, “determinar”, “profetizar” bênçãos materiais e espirituais — nessa ordem — para a sua vida, além de exigir a saúde física como um direito. Tudo gira em torno da fé, vista como a mais importante virtude da vida cristã. Mas isso não é a fé saudável, bíblica, e sim a egolátrica fé na fé. Conquanto precisemos de fé para agradar a Deus (Hb 11.6) e sejamos vencedores, em Cristo (Rm 8.37 e 1Co 15.57), essa virtude sem as obras é morta (Tg 2.17,24,26; 2Pd 1.5-9; Ef 2.8-10 e 1Co 13.2,13).

Além de supervalorizar a fé, os triunfalistas apegam-se à maldição hereditária, à cura interior — isto é, à falsa cura interior —, à priorização da vitória financeira, a exageros no campo da batalha espiritual e à pretensa saúde perfeita. Para eles, o cristão só adoece se estiver em pecado ou dominado pelo Diabo. Ignoram que nem todas as doenças provêm do Maligno (Jo 9.3; 11.4; Sl 90.10; 2Co 4.16; 1Pd 1.24 e 1Co 15.54). Embora Jesus tenha poder para nos curar, segundo a sua vontade (1Jo 5.14; Mt 6.9,10 e 26.42), ainda estamos sujeitos às enfermidades (2Rs 13.14; 1Tm 5.23; 2Tm 4.20 e Sl 41.3).

Outro desvio triunfalista é a menção constante ao Diabo e seus agentes. Cantores e expoentes bradam: “Vou cantar para Satanás ouvir” ou “Vou gritar para sacudir o Inferno”. Certo pregador afirmou que a sua missão resume-se em “chutar a cara do capeta por onde passa”. Ou seja, como todas as coisas negativas seriam, supostamente, determinadas por Satanás, temos de dirigir-lhe palavras de ordem. Entretanto, devemos cantar para louvar a Deus; e pregar para “abalar” o coração dos pecadores!

De acordo com Tiago 1.14, quando pecamos, fazemos isso em razão de nossa própria concupiscência. É do coração que procedem as obras carnais (Mt 15.19 e Gl 5.19-21). Pôr toda a culpa no Inimigo e depois dirigir-lhe palavras de ofensa é fácil! Difícil é se santificar e resistir até ao sangue, combatendo contra o pecado (Hb 12.4,14).

Os triunfalistas gostam de bater no peito e dizer: “Eu sou vencedor”. Eles supervalorizam as suas declarações de fé e, por isso, vivem “profetizando” que o Brasil ou certa cidade são do Senhor Jesus... No entanto, se não houver compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus, nada mudará. Quantos já não “abençoaram” esse País?! Precisamos conquistá-lo pela pregação do Evangelho, e não politicamente, pois o Reino de Cristo é espiritual (Jo 18.36 e Rm 14.17).

Se não fizermos a nossa parte, é inútil “decretar” o fechamento de bares e casas de shows, e “profetizar” que cinemas e teatros só apresentarão pretensos filmes e espetáculos evangélicos. O triunfalismo não muda em nada as circunstâncias. Deus quer e pode mudar a situação desse País, mas fará isso por meio de intercessão, evangelização e influência do povo que se chama pelo seu nome (1Tm 2.1-3; 2 Cr 7.14-15; Jr 33.3; 29.13; 31.9; Ef 6.18; Jl 2.12,17; Mc 16.15 e Mt 28.19).

O triunfalismo afasta o crente da sã doutrina sem que ele perceba, levando-o a pensar que as aflições não são uma realidade da vida cristã (1Pd 5.8-10; 2Co 8.1-2; Rm 8.18; 2Co 1.6; 1Pd 2.19-21 e 2Tm 3.12). A nossa vitoriosa caminhada rumo ao Céu deve ser caracterizada pela renúncia do “eu” (Lc 9.23; Fp 3.13-14; 2Tm 2.3; 2Co 1.5 e 2.4). Portanto, lembremo-nos das palavras de João Batista acerca de Jesus: “... que ele cresça e que eu diminua”, Jo 3.30.

Ciro Sanches Zibordi
Artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz, da CPAD

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Pastor Ciro Entrevista (1)

O Blog do Ciro está iniciando uma série de entrevistas com pessoas do meio evangélico que verdadeiramente têm contribuído para a evangelização do mundo e edificação do povo de Deus. Neste primeiro Pastor Ciro Entrevista conheceremos melhor o jovem Gutierres Siqueira, 19 anos, editor do blog Teologia Pentecostal, o qual é bacharelando em comunicação social/jornalismo e professor de Escola Dominical da Assembléia de Deus em São Paulo-SP.

Blog do Ciro: Como foi a sua conversão?
Gutierres Siqueira: Desde cedo tive muito contato com parentes evangélicos, que de alguma forma me transmitiram as boas-novas. Meus pais eram católicos nominais, como boa parte dos brasileiros, e eu nunca tive uma educação católica. No dia 10 de novembro de 2001, vi minha avó arrumada e lhe perguntei: “Haverá festa na igreja?” Ela respondeu positivamente, e então senti um desejo muito grande de participar daquele culto. Fui e me sentei nos últimos bancos da igreja. Era um sábado, e o culto se estendeu demasiadamente... senti um profundo sono...
Mas na hora do apelo estava bem acordado! Um cooperador me chamou à frente a fim de “aceitar a Jesus” e resisti num primeiro momento, porém logo me decidi e saí daquele culto com um alivio na alma!
Percebo hoje que Deus já me chamava nas aulas de religião da escola secular; também por meio de um quadro com versículos na casa da minha avó; e, ainda, em pequenas pregações da minha tia evangélica e até por meio de algumas músicas de qualidade nas poucas missas católicas que eu freqüentava.

Blog do Ciro: Há pouco tempo você deixou de ser formalmente um adolescente, mas demonstra ter uma maturidade incomum para a sua idade. Por que você, sendo um jovem pós-adolescente, é tão compromissado com assuntos de grande relevância, enquanto outros de sua idade, conquanto evangélicos, só pensam em efemeridades?

Gutierres Siqueira: Penso que isso é questão de educação. Conheço muitos jovens da minha idade ou mais novos que estão preocupados com a superficialidade de conteúdos em que o nosso cristianismo evangélico tem vivido, mas outros não estão preocupados com nada e nem mesmo com o seu futuro. Os jovens de hoje perderam aquela fome de ideais e já não estão motivados a lutar por um futuro melhor. Não é à toa que um movimento tão niilista e pessimista como o dos “Emos” faça tanto sucesso entre os jovens. Isso é preocupante.

Blog do Ciro:
E a sua vida sentimental? O jovem Gutierres, 19 anos, tem namorada?

Gutierres Siqueira: Essa parte está fraquíssima (risos). Estou solteiro, literalmente, mas não aceito sugestões de “profetadas” e “revelamentos” (risos). Será que serei obrigado a fazer a oração do Salmo 70? (risos).

Blog do Ciro: (Risos). A partir de quando você começou a se interessar pelo estudo da Bíblia e, especialmente, pelas doutrinas esposadas pelo pentecostalismo?
Gutierres Siqueira: Como eu disse no início, a minha conversão aconteceu em um sábado; portanto, o primeiro culto que participei como crente aconteceu na Escola Bíblica Dominical (EBD). Foi paixão à primeira vista! Devo meu interesse pelas Sagradas Letras a essa instituição educacional maravilhosa e a alguns irmãos que me incentivavam a ler bons livros. Depois de algum tempo, já como professor de EBD, conversava bastante com meus amigos de igrejas reformadas e via a necessidade de defender e me aprofundar no estudo do pentecostalismo.
Na igreja via que as pessoas se conformavam com o básico e não buscavam aprofundamento, praticando meninices e falando coisas estranhas. Lendo os periódicos da CPAD (Casa Publicadora das Assembléias de Deus), o meu interesse pelo assunto foi cada vez mais despertado e então busquei aprofundamento do assunto nos livros de teólogos pentecostais.

Blog do Ciro: Como você começou a
blogar”, e por que tantas pessoas estão lendo o seu blog?
Gutierres Siqueira: Se hoje eu sou um blogueiro, isso é culpa do Ciro! (risos). Quando busquei no Google o nome Ciro Sanches Zibordi, encontrei este maravilhoso blog e vi que era possível fazer um gratuitamente. Então, criei o meu próprio blog em fevereiro de 2007. Graças a Deus, tenho recebido uma média de quase 300 visitas por dia (média de novembro/2008), o que ainda é pouco, mas escrever para essa audiência é uma grande honra. Todos os dias estou sendo
“ouvido” por esse “auditório”, sempre com pessoas novas e aquelas que voltam.

Blog do Ciro: Que tipo de sentimento os artigos do jovem Gutierres, 19 anos, estão gerando em seus leitores, principalmente os jovens?

Gutierres Siqueira: Estou muito feliz com o público jovem que lê meu blog. Tenho recebido e-mails e mensagem de pessoas com idades entre 15, 17, 22 anos e que dizem ser freqüentadoras assíduas do blog. Normalmente esses amigos leitores me adicionam no Orkut. Os jovens que visitam o blog têm recebido bem as mensagens e textos publicados.

Blog do Ciro: Monteiro Lobato disse:
Há dois modos de escrever. Um, é escrever com a idéia de não desagradar ou chocar alguém (...) Outro modo é dizer desassombradamente o que pensa, dê onde der, haja o que houver: cadeia, forca, exílio. Qual é a sua opinião sobre essa declaração? Há um meio termo, ou os escritores têm de abraçar uma das duas alternativas?
Gutierres Siqueira: Penso que a segunda alternativa de Lobato é mais coerente, pois mostra amor pela verdade, porém não é uma tarefa fácil. É claro que devemos tomar o cuidado para, em nome da verdade, não ofendermos pessoas. Além disso, precisamos de humildade para reconhecer nossos eventuais erros. O problema é que uma pessoa comprometida com uma instituição em que trabalha nem sempre fala aquilo que precisa ser dito nos meios de comunicação da empresa. O blog é uma alternativa de falarmos sem censura, porém é preciso o bom senso.

Blog do Ciro: Muitos têm o sonho de escrever um livro ou pelo menos artigos para um periódico, a fim de que as suas idéias sejam compartilhadas. Hoje, com o blog, podemos partilhar o que pensamos sem, necessariamente, precisarmos de livros, revistas ou jornais. Você se dá por satisfeito por saber que o seu blog é bem acessado, recebendo diversos comentários diariamente, ou acredita que para um escritor sentir-se realizado precisa mesmo ser visto na mídia impressa?

Gutierres Siqueira: O blog é interessantíssimo, mas os livros têm uma aura apaixonante! Como comunicadores não podemos desprezar nem um nem outro veículo de comunicação. O meu sonho é escrever vários livros e artigos em periódicos, especialmente na temática pentecostalismo. Escrever é um exercício fantástico, pois você nunca saberá onde o seu trabalho chegará.

Blog do Ciro: O que faz o jovem escritor Gutierres, além de editar o blog Teologia Pentecostal?
Gutierres Siqueira: Estudo comunicação social com habilitação em jornalismo e trabalho prestando serviços na área de educação de uma empresa de software. Na igreja sou professor de EBD, ora ensinando jovens, ora ensinando irmãs do círculo de oração e obreiros.

Blog do Ciro: Para concluir essa agradável entrevista, você atende a convites para ministrar a Palavra de Deus, principalmente a jovens e adolescentes?
Gutierres Siqueira: A quantidade de atendimento a convites ainda é pequena. Mas, quando sou chamado normalmente, é para os cultos de mocidade. Ministrar para jovens é sempre uma experiência desafiadora, pois a escolha do tema é uma tarefa difícil. Na última vez que preguei para jovens tratei de Romanos 6 e contextualizei para a realidade da vida de um jovem na luta contra o pecado.

Blog do Ciro: Entrevistamos, portanto, o jovem escritor, pregador, ensinador, pesquisador e, sobretudo, um servo do Senhor compromissado com a Palavra de Deus, Gutierres Siqueira, a quem agradecemos por sua valiosa participação. Se alguém desejar convidá-lo para participar de um congresso ou escola bíblica para jovens em sua igreja, contate-o pelo e-mail: gutierresfs@yahoo.com.br

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Por que Mateus 28.19 é uma passagem bíblica tão importante para os evangélicos


Prezado internauta, a revista ECLÉSIA me pediu um artigo para a coluna Discipulado, o qual foi publicado na atual edição
(128, de novembro/2008). Leia o texto, que é uma exegese de Mateus 28.19, e acesse também o site desse importante veículo de informação (clicando no ícone acima), a fim de conferir excelentes matérias e artigos.

Discipulado e batismo na teologia da Trindade

Discipulado é o processo de dar contínua e sistemática ajuda ao novo convertido, capacitando-o a crescer em direção à maturidade e à frutificação

A frase grega Porenthentes oun mathetéusate panta ta ethne significa, literalmente, “Ide, portanto, fazei discípulos de todos os povos”. O texto, registrado em Mateus 28.19, é uma demonstração clara de que o discipulado não é uma opção para o cristão. O Senhor Jesus nos mandou fazer seguidores. Não obstante, as pesquisas têm indicado que a Igreja brasileira evangeliza pouco, e discipula menos ainda. Não seria essa uma das razões para a proliferação dos evangelhos estranhos mencionados aqui mesmo, na matéria de capa da edição 125 da revista ECLÉSIA?

Discipulado é o processo de dar contínua e sistemática ajuda ao novo convertido, capacitando-o a crescer em direção à maturidade e à frutificação. Vemos algumas ilustrações que nos ajudam a compreender a relevância desse trabalho em textos como Jó 39.12-15; Provérbios 12.27; e I Coríntios 3.6. Se nós nos preocuparmos apenas com a evangelização e não discipularmos, seremos como a avestruz, que se alegra ao botar os ovos, mas se esquece de que eles podem ser pisados e destruídos. Seremos, ainda, como o preguiçoso que não assa a sua caça. E, finalmente, como alguém que planta sementes e não cuida delas. A chave para o crescimento qualitativo e quantitativo da igreja brasileira é uma só: o discipulado.

Mas o texto que abre este artigo também indica onde a semeadura e o cultivo da semente devem ocorrer. Considerando que o termo ethne, derivado de ethnos – que significa “povo” ou “gente” –, o Senhor Jesus espera que façamos discípulos de todos os povos, isto é, de todos os grupos étnicos. A Grande Comissão, por conseguinte, é etnocêntrica, e a Igreja deve estar preparada para evangelizar e discipular cada povo. O que é um grupo étnico? É um ajuntamento significativamente grande de pessoas conscientes de partilharem um vínculo comum. Pensemos no continente africano, com as suas dezenas de fronteiras nacionais e milhares de divisões tribais, separadas umas das outras por culturas, línguas, classes, normas de conduta, sistemas de valores, costumes etc. Como a Igreja contemporânea conseguirá evangelizar e fazer discípulos de todos os milhares de povos do mundo? É preciso que haja conscientização dessa missão, preparo e, sobretudo, poder dinâmico do Espírito Santo, tão bem expresso em Atos 1.8.

O versículo do evangelho de Mateus também mostra que a Igreja do Senhor deve batizar as pessoas discipuladas, a fim de que sejam, verdadeiramente, discípulas. A despeito da urgência da evangelização, a Grande Comissão abarca evangelização, discipulado e batismo em águas, o qual deve ser ministrado em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Mas esse tripartido mandamento vem sendo negligenciado por muitas igrejas locais, que apenas evangelizam – e algumas, nem isso fazem. Outras oferecem um sucinto e insuficiente curso de discipulado. E há aquelas que, além de não fazerem discípulos de Cristo, não seguem à risca o mandamento acerca do batismo em águas. Certas igrejas, infelizmente, têm feito milhares de seguidores, mas não de Cristo!

Alegando rompimento com a religiosidade, esses grupos aboliram, por conta própria, o batismo em águas, o qual foi acolhido como uma ordenança pela Igreja primitiva. Outros movimentos batizam, mas ignoram a fórmula em nome da Trindade, sob a alegação de que Pai, Filho e Espírito Santo são a mesma pessoa, uma vez que a expressão “em nome” está no singular. Essa interpretação mostra-se falaciosa, haja vista não considerar que a construção frasal indica claramente que o termo “nome” tem função distributiva, denotando, na verdade, que o batismo em águas deve ser ministrado no nome do único Deus Todo-poderoso, subsistente em três distintas personalidades.

Além do mandamento de fazer discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, vemos, de modo implícito, em Mateus 28.19, que não devemos negligenciar a doutrina da Trindade. Pensar que ela pode ser negada sem maiores conseqüências é um grave erro. Quem rejeita a Trindade é contra a Bíblia; opõe-se ao próprio Senhor Jesus; nega a personalidade do Espírito Santo e opõe-se à teologia, rejeitando o plano da salvação – afinal, na obra salvífica, o Pai enviou o Filho, que consumou a obra recebida, e o Espírito Santo é quem convence o pecador dessa gloriosa salvação. Sejamos, pois, fiéis ao tríplice mandamento de evangelizar, fazer discípulos e batizá-los em nome da Trindade, a fim de que o Reino de Cristo verdadeiramente se estabeleça no Brasil e no mundo.

Ciro Sanches Zibordi
Escritor, membro da Casa de Letras Emilio Conde e pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Cordovil, no Rio

sábado, 8 de novembro de 2008

Hinos cristocêntricos (1): “Nenhuma condenação há”, de Armando Filho


Há algum tempo, publiquei neste blog uma série (que deverá continuar) pela qual analisei algumas letras de “hinos” que não apresentam uma mensagem cristocêntrica. É claro que tal abordagem negativa foi realizada com a intenção de alertar o povo de Deus, despertando-o para a valorização dos hinos que verdadeiramente glorificam a Jesus.

Nesta série discorrerei sobre hinos que estão de acordo com a Bíblia e trazem mensagens cristocêntricas. Não haverá necessidade de fazer muitos comentários, posto que são hinos de louvor a Deus, e não composições antropocêntricas, românticas ou dançantes, como no caso das analisadas na outra série. O primeiro hino que analiso tem como título “Nenhuma condenação há”, de Armando Filho (foto).

De todas as provas que eu já passei, é bem difícil, Senhor, a gente ter que ouvir acusações do vil tentador. O hino é uma oração a Deus, pela qual se menciona as lutas de um cristão sincero, o que está plenamente de acordo com a Palavra de Deus (Rm 8.18; 2 Co 4.17).

Lembranças do passado vêm e querem me fazer parar, ou mesmo palavras de alguém, que não quer na gente acreditar. Com uma melodia belíssima, o hino continua mencionando os momentos difíceis de um servo de Deus, quando o Acusador, Satanás, se levanta com o objetivo de fazê-lo desistir. De fato, a Bíblia apresenta a tentativa do Inimigo de atrapalhar a nossa caminhada (1 Pe 5.8,9).

E, quase parando sem forças e vigor, a gente lê a Palavra, encontra bastante poder pra vencer e continuar a jornada. Esta é uma das partes do hino que mais me alegra. O compositor valoriza o poder da Palavra de Deus na vida do crente. Verdadeiramente, quando lemos a Bíblia, com meditação, somos fortalecidos (Sl 1.1-3; 1 Jo 2.14).

E ver que o passado ficou pra trás, pois Cristo na cruz tudo já venceu, e saber que dele não lembra mais, eu canto pra glória de Deus. Este trecho enfatiza a obra expiatória do Senhor Jesus, realizada na cruz. Daí ser este hino cristocêntrico. Eu louvo a Deus por esta composição! É raro, hoje em dia (se bem que este hino não é tão recente), mencionar-se a vitória de Cristo na cruz em um hino, mesmo sendo ela o ponto saliente da obra de Cristo (Jo 19.30; Cl 2.14; Hb 2.14). Outra ênfase importante recai sobre a certeza que o cristão possui de que todos os seus pecados foram perdoados (1 Jo 1.9; Hb 10.17).

Nenhuma condenação há para quem está em ti, Jesus, cuja vida coberta está pelo sangue que desceu na cruz. Observe que este hino é um louvor ao Senhor Jesus por sua grande vitória alcançada na cruz e, ao mesmo tempo, uma mensagem aos que estão em Cristo. O compositor cita, inclusive, parte da triunfal passagem de Romanos 8.1. Outra ênfase importante é o sangue de Jesus (1 Pe 1.18,19; Ap 5.8). Eu, sinceramente, não me lembro de uma composição da atualidade que mencione o sangue de Jesus de maneira tão clara.

É certo que provas virão, investidas do vil tentador, mas nenhuma condenação há para quem está em ti, querido Senhor. O hino termina de maneira especial. Alerta o cristão de que, apesar de pertencer a Cristo, provas e tentações surgirão (Jo 16.33; At 14.22), mas enfatiza que, em Cristo, sempre seremos vencedores (Rm 8.37-39).

O hino em apreço é ou não uma composição cristocêntrica? Não menciona “sonhos de Deus”. Não usa clichês mântricos como “Deus vai mudar a sua história” ou
“Crente que tem promessa não morre”. Não explora o jargão comercial. Fala de Jesus Cristo, com ênfase à sua gloriosa obra vicária, e não do crente marcado pela promessa. Estimula o cristão a ler a Palavra de Deus e a vencer, ante provas e tentações.

E o estilo musical adotado? É espiritual, melodioso, possibilitando louvor e meditação, o que também é raro nesses tempos de funk-gospel e outros estilos que balançam o corpo, e não o coração.


Diante do exposto, louve a Deus com o hino “Nenhuma condenação há” (abaixo).

Glória seja dada ao maravilhoso nome de Jesus!

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Por que Romanos 9 não avaliza a predestinação incondicional (2)


Começarei esta análise de Romanos 9 pelo versículo 16, haja vista sugerir que não existe o livre-arbítrio: “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadesse”. E, para um bom calvinista, esse versículo é o suficiente para refutar a idéia da participação da livre-vontade humana no que tange à salvação.

Mas é preciso observar que o apóstolo Paulo não se refere ao meio pelo qual se recebe a salvação, e sim à fonte da salvação. A ênfase de que a salvação não depende do que quer, mas do compassivo Deus, não deve ser usada fora de contexto, com a finalidade de descartar a livre-vontade humana, necessária para o recebimento da salvação, segundo a Bíblia (Jo 1.12; 3.16; Rm 10.9,10; Ef 2.8-10).

Se tomarmos como base outros textos neotestamentários, veremos que, conquanto a graça de Deus seja a fonte da salvação, o ser humano pode rejeitar essa dádiva divina (2 Pe 3.9; At 7.51; Rm 9.22). Por outro lado, segundo os predestinalistas, os versículos 21 e 22 do capítulo em análise desferem um golpe mortal contra o livre-arbítrio: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou os vasos da ira, preparados para perdição”.

OS VASOS DA IRA

Bem, quando a Palavra de Deus menciona a analogia dos vasos, a ênfase é para o fato de que, de acordo com a nossa resposta moral a Deus (cf. 2 Tm 2.20,21), o vaso poderá ser moldado ou desfeito nas mãos do Oleiro, como foi o caso de Israel (Os 8.8, ARC). Quem lê atentamente Jeremias 18 sabe que o Senhor não ignora o livre-arbítrio. Ele mesmo disse, depois de apresentar a Jeremias uma analogia sobre um vaso que se quebrou na mão do oleiro: “Se a tal nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe” (v.8).

À luz do contexto geral da Bíblia, vasos da ira são os pecadores que recebem a ira de Deus após terem permanecido no pecado. Da mesma forma, os vasos de misericórdia são os pecadores que recebem a misericórdia de Deus (Rm 9.23), ao crerem no evangelho de Cristo, que é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Os vasos da ira são objetos da ira divina porque se recusam a se arrepender. Daí o fato de Deus suportá-los com longanimidade (Rm 9.22), isto é, esperar pacientemente por seu arrependimento (2 Pe 3.9).

É claro que o argumento acima não convence uma mente predestinalista. Por quê? Porque, como está escrito em Romanos 9.22 que os tais vasos da ira foram preparados para a destruição (ou perdição), os calvinistas continuarão acreditando que a tal preparação para a perdição se deu antes da fundação do mundo. E, para advogar essa idéia, valem-se do próprio capítulo em apreço, pelo qual se afirma, segundo eles, que Jacó e Esaú já nasceram preparados para o que fariam no mundo. Será?

A ELEIÇÃO DE JACÓ E ESAÚ

Os versículos 11 a 13 de Romanos 9 parecem mesmo apoiar o fatalismo calvinista, pelo qual se propaga a eleição arbitrária de indivíduos para salvação e perdição, antes da fundação do mundo. Afinal, o texto diz que Deus amou Jacó e aborreceu (odiou, rejeitou) Esaú. Parece mesmo não haver dúvidas de que o Senhor somente ama os eleitos, além de odiar os não-eleitos. Mas, como eu já disse, não podemos desprezar o contexto imediato, tampouco a analogia geral da Bíblia.

Creio que alguns predestinalistas desdenharão deste artigo, dizendo: “Pobre arminiano” (leiam a primeira parte desta série). Mas não tenho dúvidas do quanto o texto em apreço tem sofrido na mão do calvinismo extremado. Primeiro, porque o apóstolo Paulo não está falando de indivíduos! Jacó (Israel) e Esaú (Edom) representam duas nações! Basta lermos com atenção Gênesis 25.23 para chegarmos a essa conclusão: “E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor”.

Não há, pois, apoio a uma eleição individual, e sim a uma eleição de povos e nações: Israel e Edom. O que houve antes de os gêmeos nascerem foi uma eleição corporativa, e não individual. A passagem em análise não diz que Deus odiou a pessoa de Esaú antes que ela tivesse nascido, nem que Ele amou a pessoa de Jacó antes de este ter vindo ao mundo! Prova disso é que o apóstolo Paulo não citou Gênesis 25.23, diretamente, e sim Malaquias 1.2,3, que alude aos povos israelita e edomita.

Segue-se que a frase “aborreci Esaú” não é uma menção à rejeição do homem Esaú, e sim à rejeição do povo edomita, em razão de seus terríveis pecados, como se lê em Números 20 e Obadias. Mas isso não significa que todos os edomitas estejam, de antemão, condenados em razão de pertecerem à nação de Edom (cf. Am 9.12). A Palavra de Deus afirma que os indivíduos de cada nação podem ser salvos (Ap 7.9). Não era Rute uma moabita, pertencente a um povo rejeitado por Deus?

É um erro, por conseguinte, acreditar que o texto de Romanos 9 alude à eleição de indivíduos. Paulo se refere à eleição do povo de Israel. E, por isso, no capítulo seguinte está escrito: “Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para a sua salvação” (v.1). O que a Palavra de Deus ensina em Romanos (toda a epístola) é o que se vê em toda a Bíblia. Deus elegeu um povo como nação sacerdotal, Israel (Êx 19.5,6), mas cada indivíduo tem de aceitar a graça de Deus pela fé, a fim de que seja salvo (Rm 11.20). E isso também se aplica à Igreja, geração eleita, sacerdócio real, nação santa e povo adquirido (1 Pe 2.9,10).

Outrossim, o ódio de Deus a Esaú (Edom) precisa ser entendido de acordo com o sentido original da palavra usada para “odiei” (ou “rejeitei”). No hebraico, significa “amar menos” e é o mesmo termo aplicado ao sentimento de Jacó por Léia, inferior ao que nutria por Raquel. Ele amava muito esta e “desprezava” aquela (Gn 29.30,31). O sentimento de Jacó por Léia não era de ódio, como que querendo vê-la sofrer. Na verdade, ele até teve filhos com ela! Mas Raquel era a sua preferida.

No Novo Testamento o aludido hebraísmo também ocorre em Lucas 14.26, texto pelo qual aprendemos que, para seguirmos ao Senhor Jesus, amando-o acima de tudo, devemos amar menos (ou “aborrecer”) a nossa família (Mt 10.37).

O ENDURECIMENTO DE FARAÓ

Nos versículos 14 e 15 do capítulo em apreço está escrito: “Que diremos, pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma! Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia”. A citação de Paulo refere-se ao endurecimento de Faraó (Êx 7.3,4). Mas é importante enfatizar que não foi Deus quem primeiro endureceu o coração de Faraó (Êx 7.13,14,22). Este se obstinou em seu coração (Êx 8.15), o qual permaneceu endurecido e obstinado, mesmo ante as pragas enviadas por Deus (Êx 8.19,32; 9.7,34,35).

Não foi o Senhor quem fez questão de endurecer Faraó, anulando-lhe a livre-vontade. Ele apenas confirmou o que o próprio Faraó desejava fazer (Êx 9.12; 10.1,20,27). Isso se conforma ao que está escrito em Romanos 1.21 acerca da depravação dos gentios: “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu”. Mais adiante, em razão desse endurecimento, está escrito: “Pelo que Deus os abandonou às paixões infames... E, como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm” (vv.26-28).

Voltando ao endurecimento do coração de Faraó, fica claro pelo estudo contextual das Escrituras que o tal endurecimento
, em definitivo, se deu em razão de ele ter se firmado cada vez mais em seu pecado, a cada praga enviada ao Egito. É como está escrito em Provérbios 29.1: “O homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura”. Não foi, portanto, Deus quem endureceu Faraó, pois este escolheu agir assim, mesmo ante as repreensões do Senhor.

Ademais, o termo hebraico usado para “endurecer” denota “fortalecer”, isto é, Deus apenas “fortaleceu” o desejo que estava no coração de Faraó. Não foi Ele quem desejou que Faraó fosse obstinado, mas apenas o abandonou às suas paixões infames e o entregou a um sentimento perverso, que já havia em seu coração (Êx 8.15), posto que ele não se importou em ter conhecimento de Deus (Jo 12.37-50). No mesmo livro de Romanos (contexto imediato), o apóstolo Paulo faz menção a essa dureza de coração ocasionada pelo próprio pecador, e não por Deus: “... segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” (2.5).

Portanto, o texto de Romanos 9 de maneira alguma avaliza a predestinação incondicional de certas pessoas ao Inferno eterno, à parte do próprio livre-arbítrio delas. E isso também não significa que a salvação seja mediante obras. É claro que o ser humano, por si mesmo, nada pode fazer para salvar-se. Mas é inegável o fato de o Senhor ter dotado o homem de intelecto, sentimento e vontade, a fim de que ele receba ou não, pelo livre-arbítrio, a salvação. Afinal, “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação...?” (Hb 2.3).

(continua...)

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Por que Romanos 9 não avaliza a predestinação incondicional (1)


Pretendo, por meio desta série, demonstrar que Romanos 9 não abona a predestinação incondicional. Mas, antes, responderei a algumas perguntas intrigantes que os calvinistas costumam me fazer.

A primeira pergunta é: “Pastor Ciro, o senhor é arminiano?” E a minha resposta negativa sempre gera outra indagação: “Então, por que se preocupa tanto em refutar o calvinismo?” E emendam um terceiro questionamento: “Se o senhor não é arminiano, por que se vale dos frágeis argumentos arminianos?”


Em primeiro lugar, sempre deixei claro que não me apego a rótulos, ainda que eu não tenha nada contra eles. Eu os valorizo, mas não os priorizo. Por exemplo, nunca escondi de ninguém que sou pentecostal e pastor assembleiano. No entanto, as minhas fontes de autoridade não são a tradição das Assembléias de Deus, a qual eu respeito, e muito, tampouco a minha experiência como pentecostal. A minha fonte primacial de autoridade é a Bíblia. E aqui está um grande problema, posto que calvinistas e arminianos dizem ter o abono das Escrituras para tudo o que afirmam!


A despeito de os ultra-calvinistas continuarem não acreditando em mim, reitero que não sou arminiano nem calvinista. Por quê? Porque não encontro apoio na Bíblia para nenhuma das duas correntes, principalmente para o calvinismo. É claro que o arminianismo — o extremado, é óbvio — supervaloriza a ação humana, em detrimento da graça de Deus. Mas, e o calvinismo? Quer dizer que as suas abordagens exageradas de algumas doutrinas da salvação, como a eleição, a predestinação, a segurança da salvação, etc., não depõem contra a Bíblia?

Por que não sou arminiano? Porque concordo que a salvação se dá exclusivamente pela graça salvadora, e não pelo esforço humano; se bem que isso deve ser entendido à luz das Escrituras, e não mediante teologias “enlatadas”. Não sou arminiano, ainda, porque creio na plena segurança da salvação, em Cristo. Eu disse: “em Cristo”, pois fora de Cristo não há segurança alguma!

Mas, qual é o problema do predestinalismo ou calvinismo extremado? É o determinismo, expresso pela máxima “Uma vez salvo, salvo para sempre”.
Nenhum calvinista fanático aceita que o Senhor Jesus tenha morrido por toda a humanidade, tampouco admite que a aceitação da graça se dá mediante o livre-arbítrio. Para um predestinalista, somente os eleitos antes da fundação do mundo estão, por decreto, definitivamente salvos, haja o que houver. E eles pensam ter toda a Bíblia a seu favor. É como se Deus fosse calvinista!

Preocupo-me com o apego dos predestinalistas a passagens isoladas, as quais, fora do contexto, de fato sugerem que Deus tenha eleito uns para a perdição e outros para a salvação. Um desses textos é Romanos 9. Confesso que, se este capítulo pudesse ser extraído de seu contexto, ignorando-se todas as outras verdades das Escrituras, eu já teria me tornado um predestinalista, sem nenhuma dúvida. E poderia dizer como certos internautas: “Eu sou um assembleiano calvinista”...

O problema é que o texto de Romanos 9 — como outras passagens usadas em prol do predestinalismo — está inserido em um contexto imediato (a Epístola de Romanos) e em um contexto geral ou remoto (toda a Bíblia). E certos irmãos em Cristo, desconhecedores de algumas doutrinas da salvação, depois de convencidos de que o calvinismo é verdadeiro, passam a ver todos os outros textos bíblicos sob a ótica predestinalista, o que lhes impede de conhecer a pura verdade do evangelho acerca da salvação em Cristo Jesus. O meu objetivo, portanto, é mostrar que a Bíblia, e somente ela, tem as respostas quanto às doutrinas da salvação.

(continua...)

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 1 de novembro de 2008

Deus endireita caminhos tortos


Quando eu me converti, certo jovem me disse: “Ciro, se você tiver algum problema, abra a Bíblia. Deus falará com você”. Na minha ingenuidade, acreditei no que o jovem me falara e, a cada dificuldade da vida, eu “tirava uma palavra”.

Num certo dia, atribulado, eu fiz uma oração e abri a Bíblia. Sabe onde caiu? Em Isaías 45.1-3, que diz: “Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita... Eu irei adiante de ti, e endireitarei os caminhos tortos...”

— Funciona mesmo! — exclamei. — Deus está falando comigo diretamente, chamando-me pelo meu próprio nome, Ciro!

Quão inexperiente e ingênuo era aquele novo convertido chamado Ciro... Mas, sabe de uma coisa? Aquela mensagem funcionou mesmo! Claro que por exceção à regra, pois a Palavra de Deus não deve funcionar como um horóscopo. Prova disso é que eu tentei fazer a mesma coisa em outros momentos difíceis, e tudo o que consegui foi abrir a Bíblia nas páginas brancas ou nos livros de Crônicas!

Bem, a despeito das especificidades do texto em apreço, relacionado com outro Ciro, o rei da Pérsia, chamou-me a atenção especialmente uma verdade contida nele: a de que o Senhor Jesus endireita caminhos tortos. E foi exatamente o que Ele fez em minha vida! Eu, um filho de crente, quando andei desviado fiz coisas que não agradavam a Deus. Mas tudo mudou quando ouvi o Senhor me dizer: “... endireitarei os caminhos tortos”.

O que eu entendi, naquela ocasião? Entendi que Deus poderia me poupar das conseqüências dos meus erros. E pensei: “Que Deus misericordioso! Mesmo eu tendo cometido erros, Ele está disposto a endireitar os meus caminhos... Aleluia!”
Hoje, sei que não li o texto citado por acaso. De fato, o Senhor Jesus endireita as nossas veredas, quando o reconhecemos em todos os nossos caminhos (Pv 3.6). E eu quero, neste primeiro dia de novembro, dizer a você, caro leitor, que Deus deseja endireitar os seus caminhos.

Você sabe o que são caminhos tortos? Bem, primeiramente aludem a caminhos de perdição, pois a Palavra de Deus diz que há caminho que ao homem parece direito, mas, ao fim, são caminhos de morte (Pv 14.12). Mas o Senhor Jesus, o único Caminho (Jo 14.6), é quem pode mudar completamente o seu viver (2 Co 5.17), fazendo com que a máxima “Galho que nasce torno morre torno” não se cumpra em sua vida.

Caminho torto pode ser também um desvio da verdade, como o de Judas e o de Pedro. No caso do primeiro, infelizmente, sua vida terminou em suicídio porque, ao desviar-se, não se arrependeu (At 1.25). Mas Pedro, mesmo tendo negado, mentido, jurado e praguejado, se arrependeu verdadeiramente e teve seu caminho endireitado. Por que você não permite que o Senhor endireite as suas veredas?

Bem, a expressão “caminho torto” pode representar muitas coisas que fazemos sem medir as conseqüências, como uma escolha errada, uma decisão precipitada, reações impulsivas, dívidas adquiridas por irresponsabilidade ou consumismo, infrações, falta de cuidado com a saúde, rebelião contra Deus e outros pecados. Qual é o seu caminho torto? Um casamento errado, fora da direção de Deus? Ele não aprova o jugo desigual (2 Co 6.14-16), mas também não tem prazer em seu sofrimento.

O Senhor Jesus pode, sim, endireitar o seu caminho!
Diga-me qual é o seu caminho torto. Você saiu de um emprego antes do tempo? Vendeu um imóvel ou fez algum negócio de maneira impensada? Não adianta chorar por causa do leite derramado. A vida continua, e Deus pode endireitar o seu caminho torto!

Qual é o seu caminho torto? Um pecado de ordem moral? Talvez você diga: “Ah, se o tempo voltasse! Eu não teria feito o que fiz...” Mas é preciso pensar diferente! Deus quer endireitar as suas veredas hoje, agora! Não estou aqui jogando conversa fora! Este não é um texto frio, e sim uma mensagem do alto, cujo tema é “Deus endireita caminhos tortos”. Aleluia!

Você comprou um carro por empolgação e hoje não tem dinheiro para pagar? Usou indevidamente o cartão de crédito? Não fez a declaração do Imposto de Renda de maneira honesta e verdadeira? Ultrapassou o sinal vermelho e foi multado? Seu caminho realmente está torto, não é mesmo? Mas, o que você vai fazer? Murmurar contra Deus, pensando que Ele é o culpado por seus caminhos tortos?

E a sua saúde, como está? Não me diga que você não cuida dela e, ainda, queixa-se contra Deus, dizendo: “É... eu sou um servo do Senhor e estou doente”. Nada disso! O Senhor não tem culpa alguma de sua falta de cuidado com a saúde! Por que você não procura ter uma vida mais regrada e evita a perigosa Mac-alimentação? Ou você é daqueles crentes que, depois de consumirem uma bomba calórica, numa casa de hambúrguer, procuram igrejas onde haja milagreiros ministrando a “bênção do emagrecimento instantâneo”?

Assumamos os nossos caminhos tortos e não mais repitamos os mesmos erros. Mas, quanto aos erros que já cometemos, há uma boa notícia: Deus endireita caminhos tortos! Creia nessa mensagem! E lembre-se: foi você quem entortou o seu próprio caminho; a despeito disso, o amoroso Senhor está disposto a ajudá-lo. Ore agora mesmo, onde você estiver. Peça perdão a Deus por seus erros e por atribuir o seu sofrimento à falta de atenção do Senhor.

“Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Pv 3.6). “Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele tudo fará” (Sl 37.5).

Ciro Sanches Zibordi